Várias organizações agrícolas, grupos ambientalistas e clubes de desenvolvimento reagiram com alegria à rejeição holandesa do acordo de livre comércio europeu com a América do Sul.
Uma maioria do parlamento holandês aprovou ontem uma moção contra o acordo comercial do Mercosul, com o apoio do partido governista ChristenUnie. Esse acordo comercial com Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai foi fechado no ano passado.
As organizações agrícolas e os grupos ambientalistas acreditam que deve haver menos livre comércio e mais regulação da oferta e demanda. Com maior proteção do mercado, os criadores de animais e agricultores poderiam finalmente obter preços justos, tanto na América do Sul quanto na União Europeia, argumentaram. Organizações de consumidores e ambientais foram críticas, em parte devido ao uso flexibilizado de agrotóxicos no Brasil. Alguns desses produtos são proibidos na União Europeia.
Empresas europeias poderiam economizar mais de 4 bilhões de euros anualmente em tarifas de importação, e principalmente o Brasil poderia exportar mais carne para a UE. Mas o acordo também envolve a exportação de suco de laranja, café solúvel e frutas para a Europa. São somas significativas. O comércio mútuo entre os dois blocos comerciais atingiu mais de 100 bilhões de euros no ano passado.
No Tweede Kamer, o Partido dos Animais apresentou uma moção para retirar o apoio ao acordo. O principal argumento é que os padrões mais baixos na agricultura sul-americana significam concorrência desleal para os agricultores europeus e fraudes com carne brasileira nos mercados europeus.
Para o acordo entrar em vigor, todos os países da UE precisam ratificá-lo. O Parlamento Europeu também deve aprová-lo. Já é sabido que a França tem ressalvas sobre partes do acordo, assim como as bancadas de centro-esquerda no Parlamento Europeu. O parlamento regional da Valônia (Bélgica) já rejeitou o acordo do Mercosul.
O acordo ainda não foi oficialmente submetido para ratificação pelos governos dos países da UE. Isso só poderá ocorrer após a tradução completa do documento jurídico. Espera-se que o processo comece neste outono, mas já está claro que o parlamento holandês não concorda com a versão atual. Em teoria, o gabinete pode ignorar a moção anti-Mercosul.
Em fevereiro, o Tweede Kamer aprovou o CETA, um acordo comercial semelhante com o Canadá. A ChristenUnie inicialmente também foi contra esse acordo, mas recebeu algumas concessões do gabinete, após o que a CU concordou. Esse acordo CETA ainda precisa ser aprovado pelo Eerste Kamer, onde o primeiro-ministro Rutte também não tem maioria.
Uma situação semelhante pode ocorrer com essa declaração anti-Mercosul do Tweede Kamer. Isso coloca o primeiro-ministro Mark Rutte em uma posição difícil, pois ele é um defensor entusiasta tanto na política holandesa quanto dentro da UE do livre comércio o mais irrestrito possível.

