O presidente da UE, Charles Michel, convocou os chefes de Estado e de Governo dos 27 países da UE para uma reunião extraordinária no dia 20 de fevereiro, com o objetivo de romper o impasse político sobre o financiamento da UE.
Michel afirma que chegou o momento de alcançar um acordo ao mais alto nível sobre o quadro financeiro plurianual para os anos 2021 a 2027. Este é o período de governo da nova Comissão Europeia, empossada no ano passado.
Os países da UE negociam há meses com a Comissão Von der Leyen e o Parlamento Europeu sobre o novo orçamento plurianual, sem resultados significativos. Devido à saída dos britânicos, o orçamento apresenta um déficit de cerca de 12 bilhões de euros por ano. Os demais países da UE terão que partilhar entre si a ausência da contribuição britânica.
Além disso, a União Europeia enfrenta grandes mudanças nos gastos, em parte por causa do Pacto Verde, o plano para alcançar a neutralidade climática até 2050. A Comissão Europeia e o Parlamento Europeu também apresentaram novos desejos e planos para os próximos anos, que exigem despesas adicionais.
Idealmente, o novo orçamento plurianual já deveria ter sido concluído no final do ano passado, pela Comissão Europeia anterior – Juncker. Naquela época, já estava claro que haveria grandes problemas financeiros pela frente, não apenas em relação aos valores, mas também em termos de prazos. A Comissão Europeia precisa de cerca de um ano para elaborar as leis que permitam a execução dos fundos. Por isso, corre-se o risco de que o primeiro ano da nova administração da UE seja um ano perdido para o lançamento de novos planos.
Quatro países da UE (Países Baixos, Áustria, Suécia e Dinamarca) querem que o novo orçamento de sete anos seja mantido no nível atual, de até 1,00 por cento (cerca de 1000 bilhões de euros) da renda nacional bruta europeia. A Comissão Von der Leyen propõe 1,11 por cento, e o Parlamento Europeu defende 1,3 por cento. No entanto, as divergências não se limitam ao dinheiro, mas também ao conteúdo dos atuais e futuros Estados membros da UE. Alguns países consideram que a UE já tem tarefas demais e deveria encolher.
Nas últimas duas semanas, assessores próximos do presidente da UE Michel se reuniram com os conselheiros políticos dos 27 líderes governamentais. Esse procedimento visava sondar qual é o limite mínimo para todas as partes. Essa discussão está em um impasse político total há mais de um ano. Segundo fontes em Bruxelas, um compromisso só será possível se não se considerar apenas o tamanho do orçamento, mas também a forma como ele é gasto (quem se beneficia) e um novo sistema de descontos para os países (pagadores líquidos) que, de outra forma, acabam pagando uma quantia desproporcionalmente alta para a UE.
Ao convocar essa cúpula financeira extra, o presidente da UE Michel pressiona os líderes a fazerem concessões. Um fracasso não seria apenas uma derrota para ele como presidente da UE, mas também refletiria negativamente sobre todos os líderes da UE. Além disso, um fracasso dificultaria ainda mais um acordo ainda este ano. Acima de tudo, isso só pioraria o clima político, impediria que a Comissão Von der Leyen começasse de forma inovadora e dificultaria a implementação de outras reformas essenciais (como o Pacto Verde).

