A maioria dos países da UE está disposta, na nova política agrícola comum (PAC), a atender um pouco mais aos desejos do Parlamento Europeu e da Comissão Europeia.
Com a maioria dos ministros da Agricultura e Alimentação (LNV) é possível negociar sobre mais subsídios agrícolas para medidas do Green Deal, sobre a limitação dos subsídios da UE às grandes empresas agrícolas, a inclusão de ‘leis sociais (de trabalho)’ e mais subsídios agrícolas para o bem-estar animal.
Em uma reunião informal por vídeo na última segunda-feira, a maioria dos ministros concordou com essa aproximação ao Parlamento Europeu e à Comissão Europeia, numa tentativa de fazer do diálogo tripartite na sexta-feira, 30 de abril, em Bruxelas, um sucesso. Anteriormente, o presidente rotativo da UE, Portugal, havia afirmado que abril seria a última chance para os trabalhos detalhados, já que no super trílogo dos dias 25 e 26 de maio o acordo deve ser fechado. Essa cúpula agrícola coincide com a reunião semestral dos ministros da Agricultura.
A parcela dos fundos agrícolas destinada a medidas ambientais e climáticas (‘esquemas ecológicos’) na gestão das explorações agrícolas será agora aumentada pelos ministros de seus iniciais 20% para 22% em 2023 e 2034, e para 25% em 2025. Dessa forma, os ministros seguem uma concessão semelhante feita anteriormente na Alemanha. Foi argumentado que os agricultores não devem apenas ser compensados pelos custos (ou falta deles) dos esquemas ecológicos, mas também precisam poder lucrar com eles.
Além disso, os ministros da Agricultura estão atendendo ao pedido da Comissão Europeia e do Parlamento Europeu para finalmente romper a longa discussão sobre ‘um padrão social’ em toda a UE para salários mínimos, direitos trabalhistas e combate ao trabalho ilegal, que também deve alcançar o setor agrícola.
Principalmente trabalhadores temporários (estrangeiros) nas colheitas ainda são subpagos ou explorados em alguns países. Agora está em estudo um sistema de penalidades. A ministra portuguesa Maria do Céu Antunes afirmou na segunda-feira que “vamos conseguir chegar a um acordo”.
Além disso, parece que na sexta-feira, no trílogo, poderá haver um consenso sobre a forma de acabar com os excessivos fluxos de subsídios europeus para as grandes empresas agrícolas. Os países poderão escolher entre três opções: um teto máximo (que prejudica apenas os maiores), uma redução percentual (que afeta a todos), ou uma redistribuição (favorecendo os menores, com o restante arcando com o custo).
Países que não cooperarem poderão sofrer cortes em seus pagamentos (isto é, receber uma multa). Isso já ocorre, por exemplo, com a República Tcheca, onde a maior empresa agrícola (Agrofert) pertence ao primeiro-ministro (Babis), e onde apenas algumas dezenas de empresários recebem três quartos dos subsídios agrícolas da UE.
Pelo menos cinco países (Grécia, Croácia, Chipre, Hungria e Romênia) ainda se opõem à redistribuição proposta dos subsídios agrícolas, pois, aos seus olhos, as ‘distribuições desequilibradas entre países da UE’ ainda não foram corrigidas.
Apesar das aproximações, ainda existem muitos obstáculos e divergências que podem levar ao fracasso nas negociações do trílogo. Em vários pontos, alguns países ainda podem manter sua posição firme, ou comissários da UE ou o Parlamento Europeu podem insistir em suas orientações e visões. A questão é se eles buscam a total certeza de seus argumentos ou se se satisfazem com metade ou menos.
Alguns pontos explosivos e ainda não cristalizados incluem a redução de pesticidas químicos (mínimo de 50% até 2030), redução de fertilizantes artificiais (mínimo de 20% até 2030), agricultura orgânica em 25% da área (somente da terra arável ou do total área agrícola), a preservação de faixas ao longo de corpos d’água (quantos metros?) e rotação de culturas (3, 4 ou 5% das terras aráveis).
Na nova PAC, parte da implementação europeia, do controle e da supervisão será devolvida aos países da UE, que poderão ainda delegar suas responsabilidades a seus estados membros e regiões. Isso tornará a política agrícola europeia menos uniforme e coercitiva, permitindo medidas de transição e exceções por país.
A Comissão Europeia negociará com cada país a sua abordagem e implementação das condições dos subsídios da UE.

