Após o site de notícias Politico investigar fraudes no setor agrícola grego, as autoridades anunciaram a abertura de uma investigação própria. O ministro das Finanças da Grécia, Tsiaras, afirmou que Atenas “não pode colocar em risco o fluxo de fundos europeus” e que “total transparência é essencial para garantir que os subsídios cheguem a quem realmente os merece.”
Foi informado que se tratava de um esquema pelo qual milhares de agricultores e requerentes obtinham financiamento com bases falsas, mas a Agência Grega de Pagamento e Controle dos Regimes Comunitários de Apoio (OPEKEPE) declarou que há apenas €400.000 (US$419.149) sob investigação, com muitos requerentes devolvendo o dinheiro ou nunca tendo recebido pagamentos.
O ministro da Agricultura, Kostas Tsiaras, ordenou mais auditorias e está trabalhando em uma nova lei para mapear as terras agrícolas. O site noticioso informou que cidadãos gregos desde 2017 receberam subsídios agrícolas por pastagens que não possuíam ou arrendavam, ou por atividades agrícolas que nunca ocorreram.
A Grécia possui mais de 6.000 ilhas, das quais cerca de 250 são habitadas. Apenas cerca de 80 ilhas têm mais de 100 habitantes. Devido a essa estrutura geográfica, o país quase não conta com um cadastro bem registrado, e o governo central em Atenas possui pouca supervisão e controle sobre as atividades locais (agrícolas). Isso também se aplica à arrecadação de muitos impostos. A situação era semelhante em 2010, quando a crise da dívida grega veio à tona, revelando que Atenas havia fornecido dados incorretos ou falsificados à Bruxelas por anos.
As autoridades informam agora que encontraram mais de 16.000 números de identificação fiscal relacionados a reivindicações irregulares, verificaram 7.786 para revisão, 1.497 estão sob supervisão judicial, e a polícia financeira investiga outras 2.767.
Um relatório da UE indica que a investigação do Procurador Público Europeu (EPPO) não se concentra apenas em beneficiários fraudulentos, mas também na possível participação das autoridades da organização grega responsável pela distribuição dos subsídios agrícolas.
A maioria dos pedidos suspeitos veio de Creta, que em 2020 recebeu dois terços do total de subsídios agrícolas da Grécia. Em alguns casos, beneficiários receberam subsídios até por terras fora da Grécia.
O EPPO investiga o caso desde 2021 e já apresentou setenta processos nos tribunais gregos. Na cidade de Rethymno, pessoas condenadas receberam penas de 12 a 24 meses de prisão.
Em outro caso, um ex-funcionário do Ministério do Desenvolvimento Rural e sua família são acusados de reivindicar subsídios da UE por 450 hectares de área montanhosa próxima à fronteira com a Albânia.

