Nos últimos três anos, os produtos agrícolas ucranianos puderam entrar na UE praticamente sem restrições. Essa medida visava apoiar economicamente a Ucrânia na guerra contra a invasão russa. A partir de 6 de junho, voltam a valer restrições: 40 grupos de produtos estão novamente sujeitos a cotas ou tarifas de importação (UNN, Reuters). Segundo fontes ucranianas, trata-se principalmente de açúcar, cereais, aves e ovos.
A Comissão Europeia e a Ucrânia concordaram em estabelecer até o final do próximo mês um novo modelo comercial. Kiev insiste em um acordo que ofereça estabilidade para os exportadores ucranianos. No entanto, as partes ainda não chegam a um acordo sobre os detalhes, principalmente devido às preocupações dos Estados-membros da UE sobre a perturbação do mercado.
Segundo o Ministério da Economia ucraniano, o regime comercial com a UE permanece amplamente livre, exceto para os 40 grupos de produtos mencionados. Na prática, as empresas agrícolas ucranianas ainda terão acesso ao mercado europeu por alguns meses, pois as cotas serão geralmente atingidas em 2 a 3 meses, conforme afirmam especialistas do mercado.
As consequências esperadas são significativas. Exportadores agrícolas ucranianos enfrentarão em curto prazo mais barreiras administrativas e restrições de mercado. Ao mesmo tempo, agricultores europeus esperam maior alívio. Contudo, permanece incerto como isso se desenvolverá no longo prazo, já que as negociações para um novo acordo ainda estão em andamento.
Nos países vizinhos, como Polônia e Romênia, houve nos últimos anos repetidos protestos de agricultores contra as importações agrícolas baratas da Ucrânia. Eles reclamavam de concorrência desleal. No entanto, segundo a Comissão Europeia, muitos desses produtos não foram destinados ao mercado da UE, mas reexportados para países fora da UE.
A Comissão Europeia ressalta que a retomada do uso de cotas busca um equilíbrio entre o apoio à Ucrânia e a proteção do mercado interno. Para Kiev, entretanto, é importante que não haja barreiras prolongadas que possam prejudicar estruturalmente a posição de suas exportações.
As negociações políticas sobre um tratado comercial completo e definitivo entre a Ucrânia e a UE avançam lentamente. Kiev deseja um acordo que antecipe a adesão ucraniana à UE, enquanto alguns países da UE hesitam devido à pressão de seus próprios setores agrícolas.

